PERGUNTE AO PRECISA

O estabelecimento de normas certificadoras na área ambiental trouxe para o mundo industrial a necessidade de avaliação do ciclo de vida dos produtos. Isso inclui saber as características e origem de cada material usado no universo fabril, um conhecimento importante para alimentar o ciclo de reciclagem e diminuir o que enviamos a aterros sanitários.

 

O Instituto Precisa mantém contato com indústrias, recicladoras e instituições de pesquisa para esclarecer aos consumidores os impactos ambientais das nossas escolhas de consumo. Quer saber se está usando um produto sustentável: pergunte ao Precisa.

 

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O PERIGO DAS LÂMPADAS COMPACTAS

Dizem que as lâmpadas econômicas são perigosas. É verdade? Devo usá-las?

Uma vez liberado, o mercúrio persiste no meio ambiente, onde circula entre o ar, a água, os sedimentos, osolo e seres vivos. Ele pode viajar longas distâncias para áreas longe de qualquer produção ou utilização, como o Ártico e regiões da Antártida. Os níveis de mercúrio continuam a subir em algumas espécies em grandes áreas do Ártico, apesar das reduções nas emissões de atividades humanas nos últimos 15-30 anos. Alta exposição ao mercúrio representa um sério risco para os seres humanos em todo o mundo pela cadeia alimentar. 

 

Em relação ao uso de mercúrio em lâmpadas fluorescentes compactas, neste momento, não há alternativas acessíveis e disponíveis a nível global para substitui-las. No entanto, continuamos buscando soluções e enquanto isso estimulamos os programas de recolhimento para reciclagem desses itens que, tratados ambientalmente de maneira adequada sãoo capazes de reduzir o mercúrio disponibilizado no meio ambiente.

 

As informações são do relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - Time to Act  (PNUMA 2013), que apresenta os resultados atualizados das estimativas globais das emissões de mercúrio no meio ambiente.

 

Saber da nossa responsabilidade em descartar lâmpadas compactas corretamente e não permitir que virem cerol, causando riscos a crianças, é a ação esperada por consumidores. Quanto a não usá-las, dependeremos ainda do barateamento de novas tecnologias que prometem iluminar o tema com boas novidades.

DESCARTE DE PILHAS E BATERIAS

Como descartar baterias de aparelhos eletroeletrônicos e pilhas?

No Brasil,  são vendidas mais de um bilhão de pilhas por mês. Menos de 1% desse volume é reciclado, gerando um problema ambiental grave, já que apenas 35% dos 5 mil municípios brasileiros têm aterros sanitários. Maior parte das pilhas vão parar em lixões a céu aberto, sem qualquer controle de impacto ambiental.

 

Resolução Conama nº 401, de 04/11/2008 , estabelece os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias comercializadas no território nacional e os critérios e padrões para o seu gerenciamento ambientalmente adequado. Ela diz que "os estabelecimentos que comercializam pilhas e baterias, incluindo rede de assistência técnica autorizada pelos fabricantes e importadores, deverão receber dos usuários as pilhas e baterias usadas, respeitando o mesmo princípio ativo, sendo facultativa a recepção de outras marcas, para repasse aos respectivos fabricantes ou importadores.

 

Na prática, enquanto lojas que vendem pilhas não fazem sua coleta, outras instituições aproveitam a oportunidade para praticar a sustentabilidade. O Banco Santander, por exemplo, disponibiliza o Papa-Pilhas (saiba mais), um coletor do programa instituído pelo banco para recolher e reciclar pilhas, baterias portáteis, celulares, câmeras digitais e outros aparelhos eletrônicos portáteis. A participação individual é muito importante para aumentar o destino para a reciclagem.

MEDICAMENTOS VENCIDOS

O que acontece quando jogamos remédios vencidos no lixo?

Medicamentos são produzidos com diferentes fórmulas que misturam substâncias químicas responsáveis pelas mais diversas reações. Ao serem devolvidos à natureza pelos caminhos do lixo comum acabam por provocar a contaminação de solo e água.  Jogar medicamentos, vencidos ou não, no lixo comum é contribuir com essa contaminação. O Brasil estuda a implementação de um sistema de logística reversa de medicamentos para que sejam coletados e adequadamente  descartados  (saiba mais).

 

A Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº.44/2009 de Boas Práticas em Farmácias e Drogarias diz que "é permitido às farmácias e drogarias participar de programa de coleta de medicamentos a serem descartados pela comunidade, com vistas a preservar a saúde pública e a qualidade do meio ambiente, considerando os princípios da biossegurança de empregar medidas técnicas, administrativas e normativas para prevenir acidentes, preservando a saúde pública e o meio ambiente."  Não há obrigatoriedade e a responsabilidade  compartlhada instituída pela Política Nacional de Resíduos Sólidos está sendo estabelecida por meio da obrigatoriedade de implementação do sistema de logistica reversa de medicamentos. Uma vez estabelecido, empresas envolvidas na distribuição de medicamentos trabalharão também no seu recolhimento e promoverão campanhas de conscientização para a participação dos consumidores.

PNRS E A RECICLAGEM

O que é PNRS? O que isso tem a ver com reciclagem?

PNRS - Política Nacional de Resíduos Sólidos é a Lei 12.305/2010 que estqbelece a maneira como deve ser cuidado o lixo no Brasil. Ela estabelece o fim dos lixões a céu aberto, a responsabilidade compartilhada que responsabiliza empresas pelo recolhimentos de produtos nocivos à saúde e ao ambiente, como o caso de embalagens de agrotóxicos, embalagens de óleo lubrificante e seus resíduos, pneus, medicamentos vencidos, lâmpadas a base de mercúrio, eletroeletrônicos, pilhas e baterias. Esse recolhimento é chamado logística reversa, pois providencia o sistema de transporte para devolver aos sistemas produtivos o que esses distribuíram na fase de comercialização.

 

Mesmo não sendo consideradas perigosas, a PNRS estabeleceu o sistema de logística reversa de embalagens em geral com a intenção de diminuir o grande volume de resíduos encaminhados a aterros sanitários que podem ser aproveitados em nas mais diversas cadeias produtivas. Assim, a PNRS tem um papel de grande relevância para o estímulo ao aumento da reciclagem.

 

A PNRS é considerada uma lei moderna, uma de suas contribuições é a participação de catadores de materiais recicláveis na gestão pública dos resíduos sólidos, garantindo renda a essa parte da população que oferece serviços ambientais em troca de sustento. A PNRS contribui com o movimento mundial pela produção e consumo sustentáveis ao estabelecer a prioridade na gestão dos resíduos sólidos, contemplando nessa ordem: a não geração, a redução, a reutilização, a reciclagem, o tratamento e o destino final ambientalmente adequado.

 

Estar atento ao que passa na televisão sobre o assunto é importante para participar das adaptações que serão criadas para melhorarmos a questão do lixo. A campanha "Separe o Lixo e Acerte na Lata" já está aí para isso (saiba mais).

PARTICIPE DESTA CAMPANHA

Tem dúvida quanto ao uso de um produto ou material? Não sabe se é reciclável? Quer dar a um resíduo o tratamento adequado? Pergunte ao Precisa.